terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Era uma vez...

Era uma vez...

 
Nonatos, Joãos e Marias. Todos têm muito trabalho para manter seus trabalhos e que, mesmo assim, não são suficientes para sustentar suas vidas. Mas, hoje eles e elas estão ditando moda. Essas criaturas não sabem, mas há muito são protagonistas de um fenômeno social. Verdade! Todos os dias nos mesmos horários, numa combinação quase tácita, não via internet, eles se encontram nas plataformas de estações para pegar seus ônibus ou seus trens.
 
Chegam todos juntos e num empurra-empurra quase insano  para conseguir um lugar em suas conduções. Homens, mulheres e jovens com ar de desânimo, suados, vestidos com roupas de feira ou, quem sabe, de segunda mão e, acho eu, sem dinheiro. Ou, talvez, moedas contadas para as passagens  e a não garantia de chegar em suas casas ou em seus trabalhos. Já viram como essas conduções coletivas são lotadas e mal cuidadas?
 
Mas, também, eles e elas combinam para os mesmos horários esses rituais de idas e vindas. É uma horda de trabalhadoras e trabalhadores que insistem em pegar esses transportes ao mesmo tempo. Para que essa ânsia de chegar em suas casas depois de um dia de trabalho? Para que tanta responsabilidade para chegar em tempo em seus trabalhos? Conversem com os seus generosos patrões e diversifiquem seus horários! Vocês bem que podem cooperar e parar de pegar transportes urbanos e coletivos em bandos!
 
Sabem qual é o nome desse fenômeno social? Rolezinho. Não é rolezinho? Ah, então é rolezão! E tudo o mais é paranoia e excesso de cuidado de quem se beneficia dos templos de consumo. Nessas praças bandos são até bem-vindos, desde que bem vestidos e com muito dinheiro para gastarem sem escrúpulos em coisas e mais coisas. 
 
Eta mundão! Será que não dá para ser feliz longe dos shoppings. E olhe que nem queremos que seja para sempre...
                                                                                                  4/2/2014